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O que é o grupo focal: é uma
técnica qualitativa, não-diretiva, cujo resultado visa o
controle da discussão de um grupo de pessoas. Foi inspirada em
técnicas de entrevista não-direcionada e técnicas
grupais usadas na psiquiatria. Os participantes não se conhecem
mas possuem características comuns. Nesta técnica o mais
importante é a interação que se estabelece entre
os participantes. O facilitador da discussão deve estabelecer e
facilitar a discussão e não realizar uma entrevista em grupo.
Passos metodológicos
- Definir claramente o problema a ser avaliado.
- Escolher um bom facilitador e de preferência dois relatores
para anotar a discussão.
- Constituir o grupo focal: o grupo deve ter uma composição
homogênea, preservando certas características heterogêneas_
um balanço entre uniformidade e diversidade _ do grupo, o que
permite que os participantes sintam-se confortáveis e livres
para participar da discussão (aspectos como mesmo sexo, faixa
etária aproximada, experiência profissional ou envolvimento/participação
na atividade avaliada podem servir como variáveis). A escolha
das variáveis vai depender do que se avalia e do para quê
da avaliação.
- Forma de seleção dos participantes: devem-se respeitar
sempre os critérios estabelecidos previamente, de acordo com
o objeto da avaliação. Recomenda-se que não se
coloquem no mesmo grupo pessoas que se conhecem ou que conheçam
o facilitador. Uma pré-seleção pode ser feita para
identificar os que melhor se enquadram nos critérios definidos.
- Quanto ao tamanho do grupo, este deve ter geralmente entre 6 a 10
membros; recomenda-se que se convidem mais 20% para cobrir possíveis
ausências. Sugere-se calcular o número de canais de comunicação
possíveis no grupo, utilizando-se da fórmula N x (N-1)
: 2, onde N é igual ao número de participantes.
Deste modo pode-se ter uma idéia inicial de quantos componentes
são necessários num grupo, a depender das características
deles e do tema de discussão. Um exemplo: se o grupo contar com
6 componentes: 6 x (6-1) : 2 = 15 canais possíveis de
comunicação.
- A quantidade de grupos deve considerar a homogeneidade da população
em relação ao objeto da avaliação, variando
de um mínimo de 3 a 4 grupos até 10 a 12 grupos no máximo.
O importante é selecionar pessoas com diferentes opiniões
em relação ao tema a ser discutido e o objetivo é
obter não uma representação quantitativa de diferentes
opiniões e setores, mas sim o relato de cada segmento sobre o
objeto da avaliação.
- Os participantes devem ser vagamente informados sobre o tema da discussão,
para que não compareçam com idéias preestabelecidas.
Quando necessário são produzidos meios que facilitem a
presença dos participantes (a exemplo de cartas para que sejam
liberados no horário de trabalho, etc.) e deve-se sempre confirmar
a presença por telefone um dia antes da reunião.
- Desenvolvimento dos encontros: o local para as reuniões
deve favorecer a interação entre os participantes: uma
sala com cadeiras confortáveis ou em volta de uma mesa é
suficiente. Também recomenda-se que os encontros durem entre
1 e ½ a 2 horas e no máximo 3 horas. Pode-se utilizar equipamento
para registrar as discussões, preferencialmente dois gravadores.
É útil identificar cada participante com um cartão.
O facilitador deve iniciar o encontro com uma breve explanação
agradecendo as presenças e propondo uma breve auto-apresentação.
Deve explicar os objetivos do encontro, como foram selecionados os participantes
e por que não foram dadas muitas informações sobre
a reunião até aquele momento; sobre o uso de gravadores
e o sigilo das informações obtidas. Deve deixar claro
que todas as opiniões interessam e portanto não existem
boas ou más opiniões. Assim, cada membro deve falar na
sua vez, permitindo uma boa gravação das falas. Deve-se
informar aos participantes sobre a duração do encontro
e como este será desenvolvido. Deve-se fazer uma rodada inicial
de falas, possibilitando a todos um comentário geral sobre o
tema.
- Papel do facilitador: depende do ponto de vista que se adota,
do que está sendo avaliado e da natureza das informações
que se deseja obter. Tudo isso determina se a discussão será
mais ou menos estruturada. O facilitador pode não intervir, devendo
apenas proporcionar uma atmosfera favorável à discussão,
controlar o tempo e estimular que todos falem. Em outros estudos o facilitador
pode fazer várias perguntas abertas sobre o tema, para guiar
a discussão. Ele deve sempre ter uma lista de questões
que podem ou não ser usadas. Deve evitar a monopolização
da discussão por um dos participantes e encorajar os mais reticentes.
Deve estar atento às expressões gestuais dos participantes
e saber interpretá-las. Há uma concordância em que
o facilitador deve ter uma boa experiência na condução
de grupos e ser sensível, capaz de ouvir, ter clareza de expressão,
ser flexível, vivo e simpático, além de ter senso
de humor (o papel de facilitador é mais uma questão de
arte do que de técnica).
- Análise das informações obtidas: de preferência
o facilitador deve participar da análise das informações
obtidas, pois ele possui as melhores informações sobre
expressões faciais, o tom usado pelos participantes, o contexto
das falas e o clima da discussão. É necessário
transcrever as discussões gravadas. Não existe um modelo
acabado de análise dos dados. Em geral se utilizam os seguintes
passos:
- Elaboração de um plano descritivo das falas, que consiste
na apresentação das idéias expressadas, bem como
dos apoios e destaques para diferenças entre as opiniões
e discurso dos grupos focais.
- Devem-se ouvir repetidas vezes as falas registradas e agrupar os fragmentos
dos discursos de acordo com as categorias identificadas.
- A análise deve extrair tudo que for relevante e associado com
o tema ou com a categoria. As categorias podem ser geradas a partir
das informações obtidas. O guia usado pelo facilitador
pode servir como um esquema inicial das categorias. Durante a discussão
também podem surgir novas variáveis.
- A análise deve tentar capturar as idéias principais
que apóiem as conclusões. Os analistas podem buscar tendências
e formular tentativas de conclusões sobre as conexões
encontradas. Existem programas computadorizados utilizados para dados
qualitativos.
- Resultados: deve-se elaborar um relatório dos resultados do
grupo focal, evitando generalizações e acentuando as relações
entre os elementos identificados, pontuando ou avaliando interpretações
dos participantes. Citações dos discursos devem ser usadas
com parcimônia, não devendo se constituir em mais de 1/3
do relatório.
Vantagens: o clima relaxado das discussões;
a confiança dos participantes em expressar suas opiniões;
a participação ativa e a obtenção de informações
que não ficam limitadas a uma prévia concepção
dos avaliadores, bem como a alta qualidade das informações
obtidas.
Desvantagens: dificuldades em conseguir participantes
quando estes devem obedecer a critérios muito específicos;
a produção de polêmicas e oposição na
discussão, além de invalidação dos achados
devido à ingerência de alguns dos participantes.

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